O que é economia criativa?

“A origem da economia criativa se deu quando as antigas tradições do trabalho cultural e industrial – design, produção, decoração e representação – começaram a ter vínculos com uma gama mais ampla de atividades produtivas modernas – a publicidade, o design de roupa, o desenho gráfico e a mídia de imagens em movimento – e, mais importante ainda, quando começaram a ter maior abrangência pelo poder da tecnologia digital.”

Esta relação com a cultura é o que torna a economia criativa bastante distinta de outros setores econômicos por possuir um valor expressivo: o significado cognitivo, produto das referências culturais de cada mercado – o que torna o produto criativo relativamente personalizado e adequado aos códigos e necessidades regionais, tanto no que se refere ao seu valor de troca como à sua funcionalidade. Essas são características que ampliam e potencializam sua gama de atuação mesmo em tempos de crise. Na verdade, este é um campo que está despontando com um crescente desenvolvimento exatamente por causa da crise econômica mundial.

Aqui no Brasil, a economia criativa passou a oferecer uma resposta ágil e eficiente às adversidades enfrentadas pela população. “Numa conjuntura macroeconômica nublada, para as companhias seguirem em frente, elas precisam inovar. Na crise, os recursos se tornam mais raros e escassos. Os profissionais criativos são uma alternativa à inovação tecnológica para produzir melhor, mais rápido e com qualidade, tanto produtos quanto serviços” (Jornal O Globo).

Em suma, a economia criativa é o conjunto de negócios baseados no capital intelectual e cultural e na criatividade que produz valor econômico, estimula a geração de renda, cria empregos e produz receitas de exportação enquanto promove a diversidade cultural e o desenvolvimento humano. Ela abrange os ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam criatividade, cultura e capital intelectual como insumos primários.

Concretamente, a área criativa gerou uma riqueza de R$ 155,6 bilhões para a economia brasileira em 2015, segundo “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil”, publicado pela Firjan em dezembro de 2016. Na ocasião, a participação do PIB Criativo estimado no PIB brasileiro foi de 2,64% em 2015, quando a Indústria Criativa era composta por 851,2 mil profissionais formais.

Outro dado importante é fato de que os produtos criativos não se restringem a um segmento exclusivo, pois, em diversos casos, eles estão conectados de alguma forma. Desfiles de moda são realizados com apresentações musicais; espetáculos de dança se integram a projeções audiovisuais; a editoração de livros se faz por meio da indústria de conteúdo das novas mídias e assim por diante. A mescla de várias linguagens e áreas tornou-se prática comum nessa nova economia, estimulada em função tanto das facilidades geradas pelas novas tecnologias, quanto pela capacidade criativa de se construir e se interagir de modo multidisciplinar. Falar sobre economia criativa é falar de transversalidade, de intersetorialidade, de complexidade, ou seja: do que é tecido conjuntamente. E então as possibilidades de negócios podem ser infinitas.

Economia criativa em Jaboatão dos Guararapes

Como não poderia ser diferente, a atual gestão municipal decidiu encarar o estimulante desafio de promover o desenvolvimento da economia criativa na cidade e, por intermédio da Coordenação de Economia Criativa da SETQE, assumiu o compromisso de implantar ações que fomentassem o empreendedorismo criativo, ampliassem a visão dos empreendedores acerca de seus negócios e incentivassem o aquecimento da economia no intuito de fortalecer empreendimentos já existentes, atrair novos para o município e fomentar a cultura da inovação por meio de treinamentos, incubação de startups, consultoria em gestão de negócios e parcerias institucionais.

Atualmente, estão sendo articuladas atividades referentes a dois importantes convênios firmados entre a Prefeitura do Jaboatão e o Governo Federal por meio dos ministérios da Cultura (MinC) e da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC).  Enquanto o convênio com o MCTIC trata do mapeamento da economia criativa no município e tem por objetivo levantar dados reais sobre o tema e verificar principais necessidades, o convênio com o MinC visa a criação de uma incubadora de novos empreendimentos (startups) nas áreas de moda, aplicativos e jogos digitais, bem como promover qualificação profissional nesses respectivos campos, além de oferecer serviços e espaços que vão desde banco de informações sobre o setor criativo até área de coworking e ciclos de palestras em economia criativa, empreendedorismo, tecnologia e inovação.

Esses convênios são apenas um primeiro passo para criar as bases que Jaboatão dos Guararapes precisa para tornar-se também um centro de referência em inovação e qualificação para empreendedores. Muito há para ser feito e o trabalho é fascinante, com grande potencial de ser autossustentável e ser fortalecido progressivamente por meio de parcerias que podem ultrapassar as fronteiras do nosso País.

Principais características e potencialidades da economia criativa

  • Produção não poluente.
  • Inovação tecnológica.
  • Fortemente vinculada às características regionais e locais.
  • Possibilidade de adesão ao SIMPLES Nacional, com a forte redução da carga tributária.

Classificação da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) para as indústrias criativas